O começo não foi fácil

​Como eu disse, eu sempre gostei de escrever, e sempre escrevia só para mim, esse texto abaixo, eu escrevi quando a Isabella tinha 1 mês mais ou menos, estava no pico das cólicas, do refluxo do bebê, e da minha agonia nesse mundo novo. Segue o relato:

Ontem foi um dia difícil, apesar de ter sido a madrugada mais tranquila, onde ela acordou só 1 vez pra mamar(até estranhei). Na segunda mamada que costuma ser por volta das 7 da manhã, ela não dormiu mais, só chorava, gritava de dor, e vomitava. Ela vomitou umas 20 vezes, e a cada vomito, a cada volta de leite, é uma disparada no meu coração, a cada grito de dor dela é uma facada em mim. Ao mesmo tempo que sei que o que ela tem é normal da idade dela(cólica, refluxo do bebê), ver minha pequena, tão pequena sofrer desse tanto me derruba, me derruba emocionalmente, e fisicamente, é horrível a sensação de impotência, de não conseguir acalmar, de não conseguir amparar, de não conseguir tirar toda essa dor, esse desconforto dela. Mesmo fazendo tudo que estava ao meu alcance, dei o remedinho, fiz massagem, coloquei bolsinha quente, dei muito colo, muito cheiro, muito amor e carinho, mas mesmo assim no final do dia e ao ver ela ainda com dor e desconforto me deu a sensação de dever não cumprido, sensação de ter falhado, de nadar e morrer na praia. Ouvi dizer que toda mãe se sente assim em algum momento, não queria acreditar, mas essa realidade materna as vezes pode ser bem dolorosa.
E hoje passados 4 meses desse relato, eu consigo enxergar as coisas mais claras, consigo perceber que tudo passa, tudo mesmo. E sempre vem uma nova fase, uma nova dor, um novo desespero. E cada dia mais eu fico mais ciente, de que são só fases, e que quando tudo passar, porque sim,vai passar, eu vou lembrar com saudades, não dos momentos tensos, mas dos momentos bons. Acho que vai ser igual o parto normal, que quando me perguntam hoje como foi a dor, eu não sei dizer, só consigo lembrar que foi um momento mágico e incrível.
Mães vem com essa programação de fábrica, sofrer, sentir culpa, quase morrer, e depois esquecer de tudo, como se nada tivesse acontecido.

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