Meu Parto

Acordei na manhã do domingo dia 01/10 com umas cólicas chatinhas, mas não dei mta importância, tínhamos marcado de ir para Itu conhecer a casa que alugamos para passar o Réveillon, o Igor, meu marido perguntou se queria desmarcar, mas como as cólicas estavam fracas(e eu não tinha certeza de nada), ignorei as cólicas e lá fomos nós pra Itu. Vimos a casa, o casal de proprietários ainda colheram amoras no pé(não resisti quando vi um pé de amora e pedi mesmo, afinal grávida pode tudo), comi um potão de amoras, conversamos um monte, subi e desci as escadas, andei pela casa toda, e só me lembrei das cólicas quando estávamos acabando a visita e eu sentei um pouco, mas continuei não dando muita atenção pra elas.

Fomos almoçar no outlet Catarina, lá vai a família toda pro outlet, mas como já estava tarde, mandaram a grávida direto pro restaurante pra pegar preferencial, lá sentada na espera comecei a perceber mais as cólicas, e comecei a achar que poderia ser o dia, mas não quis alarmar nada e nem assustar ninguém, só comentei com o Igor que as dores estavam um pouco mais incômodas. Sentamos para almoçar por volta das 15hs, aí comecei a perceber que as cólicas vinham e iam com mais frequência, falei com o marido e ele sugeriu que eu marcasse no aplicativo de contrações, elas estavam vindo de 6 em 6 minutos e durando em média 40 segundos, mas como eu não queria criar expectativas, só continuei marcando e não falei nada pra ninguém. Terminamos o almoço e a galera da família queria andar pelo outlet, falei pro meu marido que não seria uma boa idéia, afinal minhas dores estavam com uma certa frequência, ele então, inventou uma desculpa e disse que íamos embora, vim marcando as contrações durante toda a viagem de volta, e estava mesmo com uma frequência de 6 em 6 minutos, durando em média 40 segundos.

Chegamos em casa e mandamos mensagem com o print do aplicativo para o grupo do whatsapp(Thais, a doula e a Camila, a enfermeira obstétrica), elas falaram para eu comer e descansar.  Consegui dormir por 2 horas, quando acordei umas 19hs com as dores um pouco mais forte, fui fazer xixi e percebi que meu tampão começou a sair, mandei foto pras meninas que me disseram pra continuar me alimentando e descansando, já não conseguia mais dormir muito, tirava pequenos cochilos entre uma contração e outra, as dores começaram a piorar, comecei a andar pela casa e ficar sem posição, nesse momento eu já tinha parado de olhar no relógio e já não sabia mais que horas eram, acabei perdendo a noção das horas. Fui pra debaixo do chuveiro 2 vezes até então, ficava sentada na minha bola com a água quente caindo e o marido dando suporte atrás. As dores foram só aumentando. Pelo que o marido conta por volta das 3 da manhã eu já gritando de dor, pedi para ir pro hospital, ele ligou pra Camila, que disse que estavam indo pra minha casa e que era pra ele me colocar novamente no chuveiro, lá fui eu outra vez pra água, e logo elas chegaram. A Camila me examinou e disse que eu estava com 5 cm de dilatação, a Thais, fez um chá de canela que eu me lembro que estava uma delícia, e um escalda-pés pra me ajudar a relaxar, mas não aguentei muito e logo quis voltar a andar, e o marido sempre comigo, quando a dor vinha ele corria e pressionava o quadril pra aliviar a dor.

Lembro que eles começaram a decidir ir pro hospital, pois já era 5h da manhã e era uma segunda feira, o hospital era longe da minha casa. E lá fomos nós pro hospital, o Igor disse que chegamos em 20 min, mas pra mim pareceu uma eternidade ficar naquele carro. Chegamos no São Luiz e fui pra triagem, a Thais e a Camila estavam comigo e o Igor ficou pra abrir a ficha. Na sala de triagem, tive que fazer o cardio toco, foram os 20 min mais longos da vida, mais ainda que o tempo no carro. Lembro que a enfermeira, ou médica não sei, ficaram fazendo mil perguntas, e a Camila parecia uma leoa protegendo o filhote, respondia tudo muito rápido, pra elas pararem de me encher o saco com pergunta, afinal se eu não estava na partolândia, estava chegando lá. Me examinaram e eu já estava com 7 cm de dilatação, fomos então pra sala de parto(delivery room).

A partir daqui eu lembro de flashs, e a minha lembrança de tudo que aconteceu a partir daqui é como se eu tivesse vendo um filme onde eu era a protagonista. Entrei na banheira e aquilo me deu uma sensação incrível de alívio. Segundo meu marido(nessas horas já tinha o apelido de maridoulo) eu fiquei 1:40h na banheira, senti minha bolsa estourar, que sensação engraçada, senti e ouvi um ploc vindo de dentro de mim.

A dor ia e vinha, quando ela vinha me dava vontade de fazer força, a Thais me ensinou uma respiração, um gemido, um grito, não sei definir o que era aquilo, mas me ajudou muito, parecia que quando eu fazia esse barulho a dor saía junto com o grito da minha garganta. Eu lembro que não aguentava mais, pelo menos era o que eu achava e gritava, mas as meninas e o Igor sempre me dizendo que tava acabando, que eu tava indo bem, e devia continuar.

A Dra. Livia chegou e me fez sentir minha Isabella que já estava quase chegando, confesso que senti um negócio que não tive muita certeza de ser uma cabeça hahaha. Ela então me sugeriu sair da banheira, para mudar de posição e receber minha pequena.

Fomos pra banqueta e só lembro de fazer muitaa força(o marido que o diga), e acho que 3 forças depois, uma ardência absurda(o famoso círculo de fogo), ás 8:26 da segunda feira dia 02/10, eu senti um ploc enorme e então, tudo acabou, não tinha mais dor, não tinha mais ardência, só tinha minha filha, que a Dra Livia me entregou e eu olhei praquele pacotinho sem acreditar que eu tinha conseguido, que sensação incrível, uma mistura de alegria, emoção, e um emponderamento que eu não sei nem explicar, a sensação de eu consegui me fez sentir a melhor mulher do mundo naquele momento, ali eu tive certeza que eu conseguiria fazer qualquer coisa na minha vida, ali eu percebi que a natureza é incrível, que nós mulheres nascemos para parir, e que parir é a experiência mais maravilhosa da vida!!

parto

Eu não conseguia acreditar que tinha parido minha filha

Muitoo obrigada a equipe fantástica do Parto sem medo, Thais, Camila e Dra Livia por me ajudarem a descobrir do que eu sou capaz!!
Ps: Não posso esquecer nunca da Dra. Fernanda que estava longe de corpo, mas com o coração lá presente!!!

equipe

Equipe linda!!

E assim nós recebemos nossa filha, com respeito, no tempo dela, do jeito que ela quis nascer, e do jeito que eu sabia parir.

Nunca quis uma cesárea, por vários motivos, mas falo sobre isso em outro post. Mas também sem radicalismos, mãe é mãe independente da forma que o filho nasceu, se por parto normal, cesárea, ou do coração.!!

 

 

 

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